Espaço do Colaborador

Dedicamos este espaço a todos os admiradores e apixonados pela arte. Se você deseja ser um de nossos colaboradores envie seus próprios artigos para serem publicados, bem como notícias de eventos, exposições, etc.

Estes artigos serão analisados e publicados sem custo algum, teremos imenso prazer em divulgar todo o material que nos for enviado.*

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ARTES PLÁSTICAS E VISUAIS – Conceitos e opinião.

Pintura por Computador – Definição usual de terminologias.

Representação Mundial da ACEA'S - Barcelona - Espanha

Presidente Internacional - Juan Palmarola

(Celito Medeiros)

Um prazer, portanto, de poder repassar aos AMIGOS DAS ARTES, um pouquinho de história da COMPUTER PAINTING ou Pintura por Computador. Do mesmo modo algumas referências da Arte Digital como um todo. Peço vossa paciência e compreensão, para o assunto, visto que a nosso ver, em curto e médio prazo isto será estabelecido com rapidez, fazendo parte do conhecimento de muitos. É preciso voltar um pouco no tempo, ou história das artes, levando em conta as terminologias das palavras.

Ainda hoje, muitas palavras usadas nas artes, possuem dificuldades na compreensão e suas interpretações já foram parar em tribunais, muitas vezes desnecessariamente, mas tornando-se jurisprudência internacional.

CRIAR - AUTOR - CO AUTOR - PUBLICAÇÃO - DOMÍNIO PÚBLICO - ORIGINAL - REPINTURA OU NOVA PINTURA (RELEITURA ou NOVA LEITURA) - REPRODUÇÃO AUTORIZADA (numerada ou não, o que compete ao autor) - IMPRIMIR - COPIAR - DIGITALIZAR - PLAGIAR - FALSIFICAR - REPRODUÇÃO NÃO AUTORIZADA (CRIMES).

As palavras/verbos acima carecem de rever as etimologias destas palavras, podem ser discutíveis, mas não podem ser utilizadas em detrimento DE PREJUIZO ou pré-julgamento DAS OBRAS LEGAIS OU LEGÍTIMAS DE UM AUTOR, visto também poder ser considerado como um ato criminoso.

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NOVOS CONCEITOS ou pontos de vista: (Não são imposições)

Quem impõe é a LEI e esta não se discute, SE APLICA.

CRIAR - Uma palavra mal empregada, mas que caiu no uso popular com relação aos 'direitos intelectuais'. Porém, na discussão do direito, de fato não poderia ser sustentada. Toda obra em verdade é uma TRANSFORMAÇÃO, sem exceção!

AUTOR - A pessoa física ou jurídica considerada a idealizadora e portadora do direito intelectual de uma obra. Esta não carece de registros, mas de sustentação da autoria.

CO-AUTORES - Demais participantes ocasionais de uma obra e de direitos assemelhados.

PUBLICAÇÃO: A publica ação por qualquer meio de divulgação.

DOMÍNIO PÚBLICO: Pode diferir de país ou região, porém entende-se que seja um direito não reclamado por herdeiros ou sucessores após um período igual ou semelhante a 70 anos da morte do autor. Neste caso, a guarda pertence ao Estado.

(Ex:. Atualmente a estátua de CRISTO REDENTOR no Rio de Janeiro, sobre ação de Direitos Autorais pelos herdeiros do artista Francês)

ORIGINAL - Uma obra da origem do autor e só ele poderá modificá-la, adaptá-la e continuando sua originalidade.

(Ex:. Uma obra que tenha passado por RESTAURAÇÃO de terceiros, PERDE A ORIGINALIDADE e isto é indiscutível, assim, as pinturas tradicionais não se sustentam em suas originalidades por muitos anos, e isto é muito variável após 35 anos em média). Ficam relíquias do original, de igual valor econômico, mas alterado o valor artístico. Como citação - Todas as obras que já sofreram restaurações no passado - Monalisa é clássico exemplo e obras dos gênios do passado, de igual forma, (conhecidos ou não).

REPINTURA (RELEITURA OU NOVA PINTURA) - Toda a nova pintura de uma obra já existente, independente do autor anterior ou a técnica por este utilizada na origem. Ex:. O clássico exemplo são todos os ORGINAIS de diversos autores sobre Monalisa. Outros exemplos, seguem-se com as REPINTURAS das obras de Millet por VAN GOGH. O que era válido no passado, continua valendo no presente e possivelmente no futuro, pois se um dia o consenso mudar isto, mudará também sobre as obras do passado. O termo RELEITURA, aplica-se mais especificamente ao generalizar o origem da obra anterior, sendo aplicado além da pintura, pois poderia ser de qualquer outra técnica, incluindo a fotografia. A NOVA OBRA seria uma PINTURA ORIGINAL, quando tratar-se de Pintura. O termo Releitura também é aplicado aos textos literários, também conhecidos como nova leitura.

Jamais poderá ser confundido com cópia, plágio e muito menos falsificação e ou alegação de os direitos pertencerem ao autor anterior, pois seria crime contra o autor atual da NOVA OBRA.

REPRODUÇÃO AUTORIZADA - Toda reprodução de Obra Original ou de direito autoral que tenha sido AUTORIZADA por ESCRITO pelo AUTOR, pelo meio específico, quantidade e prazo. O DIREITO AUTORAL é irrevogável e irretratável. Uma aquisição de obra por pessoa ou entidade, não é repassado o direito autoral, portanto, impedido de reproduzir e publicar sem a tutela do autor.

IMPRIMIR - Toda impressão autorizada por escrito pelo AUTOR. Em caso específico e ÚNICO, A IMPRESSÃO DE UMA PINTURA feita por COMPUTADOR é um ORIGINAL quando impressa e assinada a punho (mão livre) pelo autor. As impressões com assinatura já impressa são Reproduções. O autor poderá optar por reproduções originais numeradas ou não. As reproduções originais terão também a assinatura a punho (mão livre) pelo autor fora do limite que caracteriza a obra impressa. Assim, uma Tela ou outra media impressa, dependerá destes critérios para ser considerada um original ou uma reprodução ou reprodução autenticada.

Uma obra DIGITALIZADA não é um Original, mas poderá ser autorizada pelo Autor como REPRODUÇÃO, quer assinado na origem ou grafado (assinatura impressa). A assinatura a punho apenas identificará uma reprodução autenticada.

COPIAR - Somente uma MÁQUINA é capaz de COPIAR uma PINTURA. Um artista nada copia, ele PINTA. Do mesmo modo que é sustentado que nada cria, mas transforma. O artista pintor não estará sujeito aos direitos autorais da NATUREZA ou de qualquer outra. Ex: Montanhas, rios, flora, fauna, frutas, figurativos em geral são NATURAIS e as pinturas suas transformações. Os Abstratos são transformações usando uma media, tintas, pincéis e espátulas para dar uma FORMA diferenciada, transformações!

Nota: Toda nova pintura tendo como base uma pintura anterior ou imagem diversa, é uma ação conhecida e aceita por milênios como um Novo Original da NOVA OBRA. Isto ocorre diariamente no mundo inteiro, nos atelieres e escolas de artes. Impossível seria a um artista fazer uma cópia, principalmente na pintura onde milhares de traços não poderiam ser idênticos, mas seriam novos traços.

DIGITALIZAR - Tornar uma obra física, quer tradicional ou por outra técnica, de modo DIGITAL. Para tanto, o processo terá passado do por fotografia e ou digitalizador (scanner). Uma Pintura feita diretamente no Computador é o grande diferencial, pois não foi digitalizada, mas pintada diretamente de modo digital, quer use imagem prévia ou não. Toda pintura por computador é feita à mão, usando um mouse pincel. Pintura não é desenho e um desenho poderá ser uma pintura, questões de considerações, mas todas são artes.

PLAGIAR - A retirada de uma assinatura de uma obra e inserida outra autoria ou assinatura. A única forma de plágio na pintura. É crime.

FALSIFICAR - É a ação de gerar uma obra para se fazer passar por outro autor e nela inserindo FALSAMENTE a assinatura de um outro autor reconhecido para obtenção de proveitos, mesmo que não sejam financeiros. É o ato de assinar por outro artista ou o nome de outro artista que não o do próprio autor da nova obra.

É crime.

REPRODUÇÃO NÃO AUTORIZADA: Toda reprodução por qualquer meio, SEM AUTORIZAÇÃO por escrito do AUTOR DA OBRA.

É crime.

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ARTE DIGITAL (DIGITAL ART)- Qualquer tipo de arte feita no computador ou de modo DIGITAL.

Existe incluídas neste área, inúmeras de subdivisões da Arte Digital.

A DIFERENCIAÇÃO é muito ampla pelo uso das FERRAMENTAS ou resultado desejado. Aqui, fora da pintura, o uso de programas com filtros e efeitos e não com pincéis, espátulas e outras ferramentas típicas da pintura.

PINTURA DIGITAL ou Arte gráfica digital - Termos utilizados anteriormente para definir uma pintura por computador, mas que deu origem há muita confusão, pois não especificava exatamente a DIFERENÇA entre Arte Digital e PINTURA DIGITAL. A palavra no idioma inglês pode possuir diversas conotações, por isto a mais nova nomenclatura para a pintura, veio a facilitar a compreensão e definição direta - Pintura por Computador

PINTURA POR COMPUTADOR (COMPUTER PAINTING)- É um resultado exclusivo da PINTURA por um Artista Plástico ou Visual, que USOU como FERRAMENTA as cores, os pincéis e espátulas de punho ou à mão livre para PINTAR. O ORIGINAL é impresso no momento em diversas técnicas, a começar por CANVAS DE LINHO EM IMPRESSÃO GICLEE, tergo print, ultra luz artesanal e outras impressoras e medias e assinadas também a punho (à mão) pelo autor. A obra impressa não é virtual, mas muito REAL.

ARTES PLÁSTICAS DIGITAIS - Uma técnica registrada mundialmente em nome de TODOS OS ARTISTAS DESTE PLANETA pelo autor que estabeleceu esta técnica e a registrou, não para si, mas para quem a utilizar, adquirindo conhecimento na fonte ou por conta própria. Nesta técnica, especificamente se usa alguns programas diferenciados, com o USO de tintas virtuais, dos pincéis e espátulas, através de um mouse-pincel para TODAS AS ÁREAS DA antecessora PINTURA TRADICIONAL.

Leva-se muito em conta, nesta técnica, a qualidade para as impressões em tamanhos diferenciados e painéis de grandes suportes. Imagens que nos tamanhos 30x40 inch, por exemplo, giram na faixa de 400-500 mega bytes de arquivo. Acima destes valores de qualidade, o Computador tem que ser muito qualificado em memórias diversas. As impressoras de grandes formatos não suportariam imprimir na qualidade de DPIs originais e muitos computadores nem suportariam abrí-las.

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Penso, de modo simplificado 'resume', poder ter dado uma idéia geral de como andam as coisas na mais RECENTE nas artes contemporâneas das ARTES PLÁSTICAS ou VISUAIS.

As definições acima poderão ser contestadas, esclarecidas, emendadas e promulgadas nas CONVENÇÕES INTERNACIONAIS DE ARTES PLÁSTICAS E VISUAIS e a ninguém mais compete, depois de aprovadas pelos ÓRGÃOS DE DIREITO e adotadas como Normas Internacionais. Ninguém está acima da LEI.

É preciso também ressaltar que as LEIS NACIONAIS se aplicam a cada país e não podem ferir as CONVENÇÕES INTERNACIONAIS E ACORDOS das LEIS INTERNACIONAIS ou jurisprudências em JULGADO.

Nenhuma outra entidade poderá ditar parâmetros de julgamentos além da Convenção e Associações Internacionais de Artes Plásticas ou Visuais. Nenhuma Galeria, Museu, Marchand, Crítico, Artista, Pessoa física ou Jurídica ou entidade pública está acima destas decisões, nem poderia e por certo, UNIR AS ENTIDADES E ARTISTAS É A CONDIÇÃO BÁSICA DE SUCESSO E PAZ.

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Portanto, acima, uma opinião aberta e pública (publicada) de:

Celito Freitas de Medeiros (nome artístico Celito Medeiros)

Artista Internacional da Pintura Tradicional e Pintura por Computador. (50 anos de pintura)

Em todos os seus heterônimos usados de direito e registrados. www.celitomedeiros.com

- Representante da Associação Internacional de Artes Plásticas e Visuais - ACEA'S

(Representação Internacional pelo presidente Juan Palmarola - Barcelona - Espanha)

- Embaixador Mundial da PAZ (Embassy Géneve Suisse).

- Referendado pela UNESCO (prize) na Cultura Mundial.

- Cônsul da dos POETAS del MUNDO.

- Membro da AUTVIS - Direitos Autorais dos Artistas Plásticos e Visuais (BR)

- Oscar Brasileiro da Pintura em 2006 (Super Cap de Ouro S. Paulo - Brasil).



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Gravura: conceito, história e técnicas

Por Mauro Andriole

O termo "gravura" é muito conhecido pela maioria das pessoas, no entanto, as várias modalidades que constituem esse gênero, costumam confundir-se entre si, ou com outras formas de reprodução gráfica de imagens. Isto faz da gravura uma velha conhecida, da qual pouco sabemos de fato.

De um modo geral, chama-se "gravura" o múltiplo de uma Obra de Arte, reproduzida a partir de uma matriz. Mas trata-se aqui de um reprodução "numerada e assinada uma a uma", compondo desta forma uma edição restrita, diferente do "poster", que é um produto de processos gráficos automáticos, e reproduzido em larga escala sem a intervenção do artista.

Um carimbo pode ser a matriz de uma gravura, a grosso modo. Mas quando esse "carimbo" é fruto da elaboração e manipulação minuciosa de um artista, temos um "original" - uma matriz - de onde surgirão as imagens que levarão um título, uma assinatura, a data e a numeração que a identificam dentro da produção desse artista: torna-se uma Obra de Arte.

Cada imagem reproduzida desta forma, é única em si, independentemente de suas cópias, consequentemente, cada gravura "é única", é uma Obra original assinada. O fato de haver cópias da mesma imagem, nada tem a ver com a questão de sua originalidade. Ao contrário disso, a arte da gravura está justamente na perícia da reprodução da imagem, na fidelidade entre as cópias, este é um dos fatores que distinguem o artista "gravador".

Quando falamos de gravura, temos em mente um processo inteiramente artesanal. Desde a confecção da matriz, até o resultado final da imagem impressa no papel, a mão do artista está em contato com a Obra.

Depois de impressa, cada gravura recebe a avaliação particular do artista, que corrige os efeitos visuais ou os tons e cores, ou ainda, acrescenta ou elimina elementos que reforcem o caráter que quer dar à imagem.

Quando a imagem chega ao "ponto", define-se a quantidade de cópias para a edição. As gravuras editadas são assinadas, numeradas e datadas pelo próprio artista. Em geral a numeração aparece no canto inferior esquerdo da gravura - 1/ 100, ou 32/ 50 por exemplo - isto indica o número do exemplar (1 ou 32), e quantas cópias foram produzidas daquela imagem (100 ou 50). O número de cópias varia muito, e depende de fatores imprevisíveis, que vão desde a possibilidade técnica que cada modalidade permite, ou também da demanda "comercial", ou do desejo do artista apenas. Grandes edições não chegam a 300 cópias, mas em geral o número é muito menor, ficando por volta de 100. Gravuras em Metal costumam ser as de menor tiragem, devido ao desgaste da matriz, que não costuma agüentar muito mais de 50 cópias.

Outras indicações também são usadas em gravuras: PI (prova do impressor), BPI (boa para impressão, quando chega-se ao resultado desejado para todas as cópias), PE (prova de estado, que indica uma etapa da imagem antes de sua configuração final), PCOR ( prova de cor, correspondendo à investigação de combinações de cores e tons), e também PA (prova do artista, que representa um percentual que o artista separa para seu acervo, em geral 10% da edição)

Além do trabalho do artista, há também a preciosa atuação do "impressor", uma figura que está atrás do pano, por assim dizer, alguém que não cria a imagem, tampouco assina a Obra, mas faz com que ela "apareça" aos olhos do artista, literalmente.

O impressor é quem domina os segredos do "processamento da matriz e da reprodução fiel das cópias". Há artistas impressores também, mas no geral, a gravura é fruto de um trabalho coletivo.

A gravura é um meio de expressão que sempre ocupou lugar de destaque na produção da maioria dos artistas, pois possui características sem equivalência em outras modalidades artísticas. Suas operações sofisticadas e a invenção dos métodos de imprimir, e das próprias prensas, fizeram do ofício do artista gravador um misto de gênio da criação, com engenheiro e alquimista. Não é difícil imaginar as dificuldades de produção de uma gravura em Metal, ou Litografia em épocas que eram iluminadas a fogo, num tempo em que a carroça e o cavalo eram os transportes mais comuns nas grandes cidades, e que nada se sabia sobre plástico ou nem se imaginava a possibilidade de comprar uma lixadeira elétrica na loja de ferragens.

A Arte da gravura exigia conhecimentos que iam muito além do seu próprio universo. E igualmente, sua penetração na sociedade nada tinha de comum com o que hoje observamos, daí seu alto valor como técnica e conhecimento dentro das atividades humanas num mundo pré-industrial.

A gravura serviu de laboratório para grandes idéias e para veicular ideais com maior facilidade, criando interação entre camadas distintas da sociedade.

A interação do artista com o impressor pode comparar-se a do maestro com o músico durante uma sinfonia. Cada um é mestre em seu ofício, e não há mérito maior para um ou para outro, senão o de "juntos" obterem a Obra de Arte.

Existem vários tipos de gravura, ou, técnicas distintas de reproduzir uma Obra. As mais utilizadas pelos artistas são: a gravura em Metal, a Litografia, a Xilografia, o Linóleo e a Serigrafia.

Daremos uma breve descrição destas modalidades de gravura, apenas como uma aproximação inicial, levando em consideração que o estudo aprofundado exigiria muito mais tempo e formas específicas que fogem completamente do propósito deste artigo. De alguma forma, contudo, investigaremos o fascinante universo da gravura e comprovaremos que ela é objeto de grande valor na história humana.

METAL

A gravura em Metal é uma das mais antigas, temos Obras nesta técnica, produzidas por vários gênios da Renascença, como Albert Dürer por exemplo, datando de 1500 d.C.

A técnica do Metal consiste na "gravação" de uma imagem sobre uma chapa de cobre. Os meios de obter a imagem sobre a chapa são muitos, e não seria exagero dizer que são quase "infinitos", pois cada artista desenvolve seu procedimento pessoal no trato com o cobre. De um modo geral, o artista faz o desenho por meio de uma ponta seca - um instrumento de metal semelhante a uma grande agulha que serve de "caneta ou lápis". A ponta seca risca a chapa, que tem a superfície polida, e esses traços formam sulcos, micro concavidades, de modo a reterem a tinta, que será transferida através de uma grande pressão, imprimindo assim, a imagem no papel.

Esta não é a única forma de trabalhar com o Metal, como dissemos antes, mas é um procedimento muito usual para os gravadores. Além de ferir a chapa de cobre com a ponta seca, obtendo o desenho, a chapa também pode receber banhos de ácido, que provocam corrosão em sua superfície, criando assim outro tipo de concavidades, e consequentemente, efeitos visuais. Desta forma o artista obtém gradações de tom e uma infinidade de texturas visuais. Consegue-se assim uma gama de tons que vai do mais claro, até o mais profundo escuro.

Os dois procedimentos, a ponta seca e os banhos de ácido, são usados em conjunto, e além destes, ainda há outros mais sofisticados, mas que exigem longas explicações, pois envolvem a descrição de operações muito complexas. A ponta seca é o instrumento mais comum, mas existem vários outros para gravar o cobre, cada qual conferindo um possibilidade diferente ao artista.

LITOGRAFIA

A Litografia surge por volta de 1797, inventada por Alois Senefelder.

Desta vez, a matriz a partir da qual se reproduzem as cópias é uma pedra, que é igualmente polida, como o cobre, e que também receberá banhos corrosivos que criarão micro sulcos para reter a tinta que será impressa no papel.

O processo de gravação na pedra litográfica se dá primeiramente através da utilização de material oleoso, com o qual se elabora a imagem. Este material pode ter várias formas diferentes.

Existem como "lápis litográficos" ( possuindo gradações distintas quanto ao seu grau de dureza, assim como os lápis de grafite de desenho - série H, os mais duros, e série B, os macios.) Também podem ser em formato de "barrinhas", como o giz de cera comum, com os quais se desenha na pedra. E há tintas à base de óleo que também gravam a pedra, usando-se o pincel, como uma espécie de nanquim. E até o contato da mão do artista pode "marcar" a imagem, fato que exige perícia na hora de desenhar, evitando manchas acidentais. O desenho feito na pedra é sempre em preto, as cores só vão surgir na hora de imprimir a imagem no papel.

Temos, portanto, em síntese, que a pedra litográfica é sensível à gordura, e que a imagem produzida, pode ser obtida através de inúmeras formas conforme os materiais acima citados. Fica claro que isto permite uma vasta diferenciação entre as técnicas de cada artista, conferindo assim, sempre efeitos muito pessoais na criação da imagem.

Além de "gravar" a pedra com "gordura", é preciso que o artista isole as áreas que ficaram "em branco", ou seja, que continuam sem desenho. Isto se faz com uma goma, "lacrando" a pedra para o processo de corrosão. Somente as áreas desenhadas sofrerão o ataque corrosivo, de modo a criar micro concavidades para a receber a tinta, as demais continuarão "em branco" e estarão sempre molhadas durante a impressão. A tinta também é oleosa, por isso só adere aonde está o desenho, nas área "em branco" sofre a ação repelente da água.

A tinta é transferida para a pedra já "processada" usando-se um rolo de borracha, semelhante ao rolo de esticar massas. Apenas uma fina camada de tinta é suficiente para imprimir a imagem no papel.

A operação final é a "passagem" da imagem para o papel usando-se uma grande prensa que esmaga o papel sobre a pedra.

XILOGRAFIA

A forma mais antiga de impressão é a utilização de um relevo que recebe a tinta, a partir do qual se transfere a imagem para outra superfície. Dentre estes processos está a Xilografia.

A Xilografia consiste numa matriz em alto relevo produzida em madeira. Esta forma de gravação foi amplamente utilizada ao longo de toda história. Grandes nomes da Arte serviram-se de seus recursos, seja em períodos longínquos, ou em nossa época.

A imagem é gravada através de goivas, formões e pontas cortantes. O artista "entalha" seu desenho na madeira, ao modo de um escultor, mas tem em mente que essa matriz não é a Obra, e sim o meio para alcançá-la. Depois disso, a matriz recebe a tinta e vai para a prensa com o papel. Há também a impressão com as costas de uma colher. Esta técnica exige grande habilidade do artista e permite a obtenção de detalhes que a prensa não consegue alcançar.

LINÓLEO

Esta técnica assemelha-se ao entalhe da Xilogravura, no entanto, ao invés de madeira, a matriz é de material sintético - placas de borracha, chamadas "linóleo".

Igualmente a "Xilo", a placa de linóleo receberá a tinta que ficará nas partes em alto relevo, e sobre pressão será transferida para o papel.

Esta técnica é mais recente do que a Xilogravura devido ao material de sua matriz, e foi muito utilizada pelos artistas modernos, como Picasso por exemplo.

SERIGRAFIA

A Serigrafia é a modalidade mais recente das técnicas apresentadas até então. Convivemos diariamente com Serigrafias sem desconfiarmos que também são usadas por artistas. Geralmente conhecemos pelo nome Silk-Screen, isto é, Estamparia.

Este meio de impressão é muito comum na utilização comercial, servindo para uma larga aplicação, seja em tecidos, plásticos, vidro, cerâmica, madeira ou metal.

Quando se trata de uma Obra de Arte no entanto, a Serigrafia se sofistica e recebe tratamento diferenciado em todo seu processo, tanto quanto nas tintas usadas, como também no número de impressões que formam a imagem, ganhando assim qualidade, mais distanciando-se da aplicação comercial em larga escala.

O processo de gravação consiste em transferir a imagem desenhada para uma "tela de nylon". O desenho pode ser feito com tinta opaca (nanquim) em material transparente (acetato ou papel vegetal), obtendo-se o "filme" que servirá para gravar a tela (matriz).

Este processo assemelha-se ao da fotografia. Em resumo, o filme desenhado é posto sobre a tela de nylon, que recebeu uma fina camada de líquido (emulsão) sensível à luz. Dentro de uma caixa escura, a tela de nylon com o desenho são expostos a luz muito forte. Passado alguns minutos a emulsão que recebeu a luz seca e adere ao nylon, e a que ficou protegida pelo desenho é retirada com água.

O resultado é uma espécie de "peneira", digamos assim, sendo que a parte desenhada esta livre para a passagem da tinta e o restante está vedado pela emulsão.

A impressão se faz através de rodos que "empurram" a tinta que é posta dentro da tela de nylon, pelos orifícios deixados em aberto que formam o desenho. A impressão é feita numa mesa na qual se fixa a tela com dobradiças, de modo a permitir que levante-se a tela (como quem abre e fecha uma porta) e coloque-se o papel sempre no mesmo lugar para receber a imagem. O número de impressões é que permite a composição total do desenho, somando as cores e formas a cada nova impressão -assim como quem pinta uma paisagem, e primeiro pinta o tudo o que é azul, depois o que é amarelo, e assim por diante, e dessa forma chega ao resultado final.

NÚMERO DE IMPRESSÃO E MATRIZES

Em geral uma gravura pode ser feita com apenas uma matriz e uma impressão, isto serve para todas as modalidades consideradas aqui. Mas a utilização de várias matrizes e várias impressões também é bastante comum, sobretudo nas Serigrafias. Desta forma, o processo descrito para a gravação da imagem numa matriz, seja no cobre, na pedra, na madeira, na borracha ou no nylon, é multiplicado pelo número de vezes que o artista precisou para obter sua imagem ideal. O mesmo ocorre com a impressão. Assim, temos gravuras que resultam de 4, 5, 8 matrizes, e que exigiram o mesmo número de impressões. Há casos de Serigrafias com até 30 impressões ou mais.

Isto torna o processo da gravura muito dispendioso, e seu produto numa Obra de grande empenho do artista e do impressor, pois estamos falando de operações sofisticadas, inteiramente manuais, que envolvem muita atenção e força, principalmente no trato com as pedras litográficas e polimento de matrizes de cobre.

E diga-se de passagem, que não citamos os cuidados com os papeis, que exigiria outro artigo de igual tamanho, além da limpeza de tudo o que esta arte envolve.

No entanto, é importante termos em mente, que seja qual for a técnica escolhida pelo artista - Metal, Litografia, Xilogravura, Linóleo ou Serigrafia - o que vale acima de tudo, é a capacidade de expressão que cada meio permite, e como isto irá de encontro às necessidades do artista.

Desse panorama da gravura, chega-se rápido a compreensão de como é uma atividade especializada, e como não pode ser comparada aos produtos fabricados pelos meios industriais. Antes de qualquer conclusão, um fato destaca-se a priori: a Obra de Arte é sempre fruto de muito empenho, dedicação, estudo e Amor à Beleza.

Assim, cada modalidade de gravura terá seu "idioma" peculiar, ainda que cada artista pronuncie seus próprios "poemas" com ele. Isto significa que as comparações não são cabíveis, pois não se trata de avaliar perícia e virtuosismo de um em detrimento de outro. Na verdade, quando falamos sobre Arte, não alcançamos jamais sua essência mirando nos aspectos técnicos. É possível, sim, que o virtuosismo de um artista nos impressione, mas isso não nos revela mais do que a superfície de seu espírito. Se desejamos mais do que isso, precisamos de silêncio e muito desprendimento de tudo aquilo que é material, e só assim a Obra se revelará plenamente em nós e cumprirá seu destino: emocionar.


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O Autor, Mauro Andriole, é artista plástico, estudioso de filosofia, sobretudo de temas que convergem para a ciência e a metafísica. Sobre sua produção atual de gravuras ele diz: Trabalho simultâneamente em dois temas absolutamente interligados: PHYSIS - que trata da questão grega da "natureza das coisas", e Povos Ancestrais do Brasil - seguindo um caminho do coração junto à mitologia e sabedoria do Índio brasileiro.

Fonte: Casa da Cultura

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DVD da Arte

Para um artista plástico a divulgação de sua obra representa um desafio, principalmente na fase inicial de sua carreira. A associação com uma Galeria de Arte é, muitas vezes, a tentativa de solução para essa dificuldade. Para a Galeria de Arte, é grande a tentação em preparar um catálogo, um folheto em papel de primeira qualidade com belíssimas fotos coloridas das preciosidades oferecidas. No entanto, esse impulso é freqüentemente frustrado por um conjunto bem conhecido de dificuldades.

I – A Atualização - Antes que fique pronto e entregue pela gráfica, o catálogo estará desatualizado. Esse problema desaparece na edição do catálogo sob a forma de um DVD. Tanto a eliminação das peças vendidas quanto as “novidades” podem ser incorporadas com grande facilidade na “matriz” do DVD.

II – Volume da “Edição” - A feitura do folheto com belas fotografias coloridas representa um investimento em custosos fotolitos. Isso obriga as gráficas a exigirem um volume mínimo na encomenda do folheto. Esse volume mínimo é incompatível com a freqüência das “revisões” já discutidas. O problema desaparece para o catálogo preparado sob a forma de um DVD. Uma Galeria de Arte ou mesmo um artista plástico pode contratar tão somente a elaboração de um exemplar, uma “matriz”. A multiplicação de cópias será feita na medida das conveniências e das necessidades. Uma vez de posse da sua “matriz”, a galeria ou o artista estará livre para abordar o problema da “multiplicação” como entender mais conveniente!

III – Textos - Naturalmente, em seu catálogo impresso, a Galeria de Arte ou o artista acrescentará à foto da cada peça um texto descritivo/explicativo sobre suas particularidades. No catálogo em DVD esse texto pode ser, ou deve ser, apresentado foneticamente. O artista ou pessoa de sua escolha, poderá gravar o texto referente a cada peça. Cada texto falado será reproduzido junto com a foto da peça apresentada.

IV – Iniciativas Individuais - Mesmo nos casos em que o artista plástico não domine tecnologias como a fotografia digital ou a gravação de fala em arquivos MP3, é extremamente comum que viva cercado por amigos que podem facilitar essas fases de um trabalho. Nesses casos, a preparação de um DVD pode ser limitada às etapas finais de um trabalho.

Ofereço aos artistas dois textos que descrevem e procuram esclarecer alguns detalhes do trabalho sugerido.

Affonso Seabra (Expert em arte digital e um dos Associados da AACOG) - Rua São Clemente 95 Apt. 806 - Botafogo
Rio de Janeiro - CEP 22260-001 - Tel. 2246-4750

seabra.rlk@terra.com.br

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"Art Review” divulga lista dos mais poderosos das artes plásticas

A revista britânica “Art Review” publicou na última quinta-feira, dia 28, a sua comentada lista anual das 100 personalidades mais poderosas das artes. A lista tem visibilidade mundial, pois já foi reproduzida pelos mais importantes jornais, revistas e sites do mundo.
O galerista Larry Gagosian, também conhecido como GoGo, encabeça a lista. Ele era o quarto colocado no ano passado e saltou três posições depois de ter inaugurado este ano a maior galeria privada de Londres. “Art Review” o classificou como “o maior empresário da arte do mundo” e também como “uma figura de mistério e controvérsia”.
Em segundo lugar ficou Glenn Lowry, diretor do MoMA de Nova York (14° no ano passado), que nos últimos dez anos tem coordenado o projeto de expansão do museu, orçado em US$ 850 milhões.
A lista, conhecida como “The Power 100”, traz ainda:
3 – Nicholas Serota, diretor dos museus Tate, em Londres, que manteve a posição do ano passado.
4 – Maurizio Cattelan (24° no ano passado), artista italiano que teve recentemente uma obra vendida por US$ 2,1 milhões.
5 – Samuel Keller (15°), diretor das feiras de arte de Basel (Suíça) e Miami Basel (EUA).
6 – Dakis Jouannou (10°), industrial e colecionador grego e principal figura das artes em todo o Mediterrâneo.
7 – William Ruprecht (novo na lista), principal executivo da Sotheby’s, depois da saída de Diana Brooks em 2000, que deixou a casa de leilões depois que ela e a concorrente Christie’s se envolveram em um escândalo de manipulação de preços no mercado de leilões.
8 – Ronald Lauder (era o 1°), o milionário da indústria de cosméticos é da diretoria do MoMA e foi o maior responsável pela captação de recursos para a ampliação do museu.
9 – Robert Storr (novo na lista), o curador construiu sua carreira no MoMA e agora no Institute of Fine Arts, em Nova York.
10 – Takashi Murakami (7°), artista japonês de maior repercussão mundial, com mostra prevista para o MoMA.
O mercado de arte britânica foi o que apresentou as maiores quedas e também algumas ascensões surpreendentes.
O publicitário, colecionador e galerista Charles Saatchi caiu de 6° no ano passado para 17° este ano. Ele chegou encabeçar a lista em 2002. Alguns de seus artistas também o acompanharam na queda, como Damien Hirst (49° no ano passado e 78° este ano) e a artista Tracey Emin, que saiu da lista.
A queda de Saatchi, que durante mais de dez anos comandou a euforia da NBA (New British Art), foi acompanhada por boa parte do mercado de arte inglês. O influente galerista Jay Jopling (White Cube Gallery) caiu da 25ª para a 49ª posição e ficou atrás de jovens galeristas, como Iwan Wirth, que aos 34 anos já possui galerias em Londres, Nova York e Zurich, seguindo direção oposta de companheiros de profissão, como Victoria Miro, Maureen Paley e Sadie Coles, que perderam posições. O curador Norman Rosenthal, da Royal Academy de Londres, foi outro que ficou fora da lista.
A lista conta ainda com a presença de Jeff Koons (artista norte-americano, 18°), Zaha Radid (arquiteta iraniana, que ganhou o Pritzker Prize pelo projeto do Rosenthal Centre for Contemporaruy Art, em Cincinatti, 20ª), Nicholas Logsdail (proprietário da Lisson Gallery, 26°), Olafur Eliasson (artista dinamarquês, 29°), Amanda Sharpe e Matthew Slotover (fundadores da feira de Arte Frieze, 32°); Miuccia Prada (empresária italiana na área de moda e confecções e dona da Fonzazione Prada, 82ª), Anish Kapoor (artista indo-inglês, 83°), Paola Antonelli (curadora do MoMA especializada em arquitetura e design, 91ª), Will Alsop (arquiteto autor do projeto de várias galerias, 96°), Jack Vettriano (jovem artista escocês, 100° lugar).
A revista “Art Review” publicou ainda a sua lista dos mais importantes artistas vivos, baseado no valor total de obras vendido nos últimos 30 anos:
1 – Jasper Johns (92,8 milhões de libras)
2 – Gerhard Richter (£80,9 milhões
3 – Cy Twombly (£54,5 milhões)
4 – Robert Rauschenberg (£36,5 milhões)
5 – Fernando Botero (£35,7 milhões)
Entre os ingleses, a melhor colocação ficou com David Hockney, em nono lugar. O artista contou ao jornal “The Telegraph” que estava surpreso e que gostaria de saber quais foram os critérios e como a revista coletou as informações. “Me parece mais uma daquelas pequenas conspirações que aparecem nos jornais”, disse.

Fonte: Mapa das Artes

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Colegas coloco aqui alguns comentários para esta reflexão coletiva:

Nós temos diversas inquietações no processo poético, ou seja no fazer o nosso trabalho de arte.
O que nos torna contemporâneos é o tipo de inquietação que nos envolve e como nos colocamos perante tal.
Ao longo da história da humanidade sempre tem havido o acréscimo de novas técnicas, o fazer artístico é um conhecimento humano como outro (física, engenheira, matemática, medicina, poesia, literatura .)
Hoje temos uma quantidade imensa de recursos artesanais, mecânicos e eletrônicos ao nosso dispor, o que fazemos com eles é o que importa.

O público sempre foi um enigma para a maioria de nós que trabalhamos com arte e produzimos arte.
Existem tantos públicos diferenciados, o artista tem a preocupação com a humanidade mas não com um determinado público. Pontes são criadas pelo conhecimento, a tradição é isso passagem de conhecimento, nunca repetição impensada.

Ser democrata não é querer que as obras sejam compreensíveis por todos, não podemos fazer essa confusão, arte é conhecimento humano e requer aquisição de saberes, é como a leitura tem necessidade de saber alguns códigos básicos para um entendimento.
Poderão dizer que todo o ser humano é sensível a uma cor, a uma expressão etc, mas se ficar por aí nunca entrará na obra do artista.
Tudo isto tem sido sempre assim desde que fazemos arte, o que muda ou deveria mudar é um maior acesso ao conhecimento humano e como tal à arte também.

As mídias interativas têm como principal intenção a participação do público, uma participação quase de co-autoria muitas vezes, mas são poucos os trabalhos que refletem alguma inquietação mais poética, parece que a maioria fica na superfície do lúdico.
Mas é tudo relativamente novo e há que experimentar e conhecer mais,
trabalhar com o computador será como trabalhar com o lápis.
Ninguém olha para um trabalho e pensa na marca do lápis, o na agilidade autônoma do lápis , mas vê a intensidade do traço, a variação e qualidade da linha, a intensidade e luminosidade da cor etc, todos estes dados são determinados pelo/a artista.

Os artistas conceituais os que assim se denominam, pensam na arte com idéia como o principal do seu trabalho, a execução matérica da idéia é muitas vezes tosca e longínqua do que se propõem teoricamente.

Hoje penso que existe uma certa obsessão por tudo o que é real, a violência, a prostituição, a rapidez, são reflexos dos tempos que vivemos.
A capacidade de contemplação perante um trabalho de arte é escassa, a velocidade atropela a contemplação e falo no sentido de uma maior reflexão.

A Bienal é um evento com critérios ligados a tendências da mídia internacional.

A gravura existe o tempo das cavernas, a incisão tá lá , a marca
Agora as intenções vão mudando, as exigências também

abraços
Constança

http://constancalucas.blog.uol.com.br/

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A geléia do marketing
O vale-tudo dos curadores e a infantilização da arte
Por Teixeira Coelho


Perguntam-me, num debate, que autor falta no habitual ensino da arte (na formação do artista, do crítico, do curador, do historiador). Nietzsche. O Nietzsche de uma observação específica, intempestiva: a necessidade de uma genealogia da arte, de considerar (e fazer) a arte sob um ponto de vista interno, e não a partir de exterioridades (“o social”, a educação, o conhecimento, o desenvolvimento sustentável, a “onda”, o que for). Difícil separar a arte disso tudo. Impossível, não.

O estopim para lembrar Nietzsche vem de coisas que se repetem: o vale-tudo das opções curatoriais, a infantilização do resultado artístico (aceita sem dramas), a ascendência do marketing sobre o programa da arte.

Num sistema por natureza devorador de novidades e, curioso, com oferta maior que a demanda, apesar disso ou por isso o curador — esse provedor de exposições incomuns — tem-se mostrado descuidado na escolha de suas categorias, de seus temas e das obras que colocará sob esses guarda-chuvas. Numa exposição dedicada, digamos, à paisagem ou à utopia encontra-se uma natureza-morta ou outra coisa qualquer que com o tema não mantém nenhuma relação evidente e que será vista sob outro rótulo duas ou três exposições depois. Problema maior quando a exposição é de arte contemporânea. Muita coisa pode ser muita coisa em momentos e aspectos distintos; mas o núcleo duro da coisa permanece (quando existe) e é isso que se perde. Ou é por não haver núcleo duro algum que se monta a geléia...

E não se costuma justificar a escolha. O problema é do espectador, já que vigora a presunção do saber certeiro do curador, repelindo o público para as reservas índias da ignorância e falta de gosto. Continua a valer na arte contemporânea, e é sempre menos suportável, o culto pelo ininteligível (ou pelo suposto ininteligível), na expressão endossada por Nietzsche. Culto agravado quando o curador, em vez de reconhecer estar diante do desconhecido e do incerto, próprios da arte contemporânea, quer reduzi-los ao rótulo manejável que elegeu. Essa operação não serve ao público (embora a arte contemporânea nem sempre seja feita para um público). Nem ao sistema da arte.

Menos ainda ao artista, que se coloca cada vez mais nas mãos do curador, num processo de ampla infantilização: o artista não sabe o que faz, mas não importa, porque sabe que algum curador lhe dirá o que fez. Como vigora a idéia de que tudo em arte contemporânea propõe alguma coisa, de algum modo e de qualquer modo, e como o curador não se atreve a recusar o que vem do artista, embora o artista se coloque nas mãos do curador, em círculo nada virtuoso, o resultado tem sido uma infantilização da atitude diante da arte a fazer e da própria “arte” produzida. Vê-se por aí muito exercício de arte (enésimos recipientes com líquidos indefinidos, enésimos lixos e maletas e panos e caixas, o enésimo kitsch) apresentado como “arte final”, se os gráficos permitirem a apropriação desse termo. Infantilização na forma, no conteúdo, no controle da matéria, do material. E parece que tudo bem...

O mercado, esse, sabe o que quer e onde estão os valores. O mercado, quer dizer, a compra e venda da arte, ainda tolamente demonizado como o responsável por tudo de mau, continua a exercer o juízo crítico, algum juízo (embora o juízo irracional do dinheiro), quando outros já desistiram de fazê-lo. Para o mercado, A não vale o mesmo que B, nem vem junto com C. O mercado não é santo e forma um mesmo círculo de inter-realimentação com museus, galerias, escritórios de representação. Mas seu capital cultural, se cabe a palavra, mostra-se mais seguro, duradouro; o mercado não hesita em usá-lo e, com isso, assegura algum equilíbrio de valores ao sistema: é sua última instância, a baliza final.

Por fim, nesta breve lista, o marketing, contraface e contrapeso do mercado. Penso no marketing lá de fora que sofremos aqui (e destaco: o nacionalismo cultural não me interessa, é sempre um trágico equívoco). Marketing tem a ver com Nietzsche? Sim, se lembrarmos, com ele, que a arte desse marketing é a arte infantil. O caso é que, com as verbas públicas diminuindo também lá fora, os grandes museus têm de buscar novas receitas. Entre elas, as das exposições itinerantes pagas pelo destinatário. Mas, quase nunca, pelo custo, mandam para fora, para cá, o crème de la crème. Vem então o segundo time (as obras menores dos grandes nomes) e, melhor ainda para esses museus e países, os artistas em formação, tateantes (embora não só os jovens infantilizem a arte) e que um dia, graças a esse mesmo marketing, agregarão valor às coleções desses museus e países. Não precisamos disso: temos equivalente nacional...

Fala-se agora em direitos do consumidor cultural. Alimentos e cigarro indicam seus componentes nocivos e duvidosos. Por que a exposição de arte não previniria que inclui obras duvidosas, de segundo time, valores incertos a serem consumidos nessa exata condição? Não é de bom tom anunciar coisas assim... De resto, fumar pode ser bom, apesar do dano; mas o que se ganha vendo arte de segunda? Melhor nem ir... Então não se avisa.

Aqui retorna Nietzsche: há hoje um apego excessivo à situação e uma ausência gritante de análises e apresentações genealógicas das obras, substituídas, no caso das exposições, exemplo entre outros, pelos reincidentes diálogos (a arte brasileira com a chinesa, a acadêmica com a contemporânea, a objetual com a pintura) que quase sempre permanecem à superfície da arte – ou fora dela. É difícil mergulhar numa obra e vê-la em seu movimento interno (se o tiver), em vez de adotar a aproximação duvidosa de conceitos e categorias. E é difícil apresentar o resultado de modo palatável. Sobretudo num momento em que a arte se destaca pela ausência de uma lógica interna vinculante. Se isso não se fizer, porém — e isso talvez só se possa fazer ou se fará melhor quando as mentes forem ainda jovens e lerem Nietzsche, por exemplo —, a trivialidade, como sabe Jeff Koons, triunfará de vez. E com a trivialidade, a apatia e a indiferença — mortais.

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Clodomiro Amazonas



Nasceu em Taubaté, São Paulo, a 14 de março de 1883. Em 1901, restaura obras do Convento Santa Clara, e funda a Associação Artística e Literária, com Gastão e Euzébio da Câmara Leal, em Taubaté, SP. Vivendo em São Paulo desde 1906, entra em contato com a obra de Batista da Costa e tem aulas com os pintores Augusto Luiz de Freitas e Carlo de Servi. Pintor de paisagens, a partir de 1912 realizou individuais em São Paulo, Juiz de Fora, Taubaté, Recife, Belém, Fortaleza e no Rio de Janeiro. Participou da fundação do Salão Paulista de Belas Artes em 1934, 1938 e 1939. No Salão, conquistou a grande medalha de prata em 1938 e, nesse mesmo ano e no seguinte, com paisagens, o segundo e primeiro prêmios Prefeitura de São Paulo. Um trabalho de sua autoria (caricatura de Monteiro Lobato, original hoje desaparecido), foi reproduzido no livro de Tadeu Chiarelli, Um jeca nos vernissages (p. 249). Em 1985, outro trabalho seu integrou a mostra 100 Obras Itaú, no MASP.

CRONOLOGIA:
1883 - Nasce em Taubaté, São Paulo, a 14 de março.
1911 - 1ª Exposição Brasileira de Belas Artes, no Liceu de Artes e Ofícios, São Paulo.
1912 - Primeira Individual no Salão do Edifício do Radium, na Rua São Bento, São Paulo.
1918 - Individual, na Rua da Quitanda, 4, São Paulo.
1924 - Individual, no Palacete Palmares, São Paulo.
1926 - Individual, na Galeria Blanchon, São Paulo.
1931 - Individual, na Casa Assunção, São Paulo.
1934/38/39 - Salão Paulista de Belas Artes, São Paulo.
1934/1948 - Individual, na Galeria Ita, São Paulo.
1942 - Grande Exposição de Belas Artes, no Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.
1944 - Individual, na Rua Barão de Itapetininga, 121, São Paulo.
1946 - Individual, na Galeria Benedetti, São Paulo.
1949 - Individual, na Galeria Itá, São Paulo.
1951 - Individual, na Galeria Itá, São Paulo.
1953 - Individual, na Galeria de Arte Rio Branco, São Paulo.
1953 - Morre em São Paulo.

1953 - Recebe Homenagem Póstuma no 18º Salão Paulista de Belas Artes, São Paulo.
1955 - Exposição Póstuma, na Galeria Sete de Abril, São Paulo.
1956 - 50 Anos da Paisagem Brasileira, no MAM, São Paulo.
1980 - A Paisagem Brasileira (1650-1976), no Paço das Artes, São Paulo.
1983 - Campos do Jordão SP - Festival de Inverno de Campos do Jordão, no Auditório
1985 - 100 Obras Itaú, no MASP, São Paulo.
1986 - Dezenovevinte: Uma Virada no Século, na Pesp, São Paulo.
1993 - Seis Grandes Pintores, na Fundação Pinacoteca Benedito Calixto, Santos.
2001- Paisagens Brasileiras, na Jo Slaviero Galeria de Arte, São Paulo.

(colaboração J.E.O.BRUNO)

 

 

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