| Nas
ruínas da antiga Olaria
fundada em 1917 e herdada de
seu pai, o empresário
Ricardo Lacerda de Almeida Brennand,
o artista Francisco Brennand,
em novembro de 1971, debruça-se
e transforma a fábrica
de tijolos e telhas em um projeto
obsessivo e sem trégua,
recriando de uma maneira original
elementos de uma surpreendente
arquitetura.
Francisco Brennand estudou pintura
com Álvaro Amorim, um
dos fundadores da Escola de
Belas Artes do Recife. Participou
e conquistou os 1ºs Prêmios
no Salão de Pintura no
Museu do Estado de Pernambuco
em 1947 e 1948. Em 1949 viajou
para Europa onde fixou-se em
Paris. Viajou pela Bélgica,
Suíça, Portugal,
Espanha e Itália, estabelecendo-se
na Umbria (Deruta) em 1952,
aprimorando seus conhecimentos
de cerâmica em uma fábrica
de faiança, nos arredores
de Perúgia. De volta
ao Brasil, reconstruiu e reformou
o seu ateliê na velha
casa do Engenho São Francisco,
misto de fortaleza e convento
dos fins do século XVIII.
Semelhante ao artista Aleijadinho,
que nas Minas Gerais legou à
posteridade um imenso acervo
barroco de obras arquitetônicas
e escultóricas - como
exemplo basta lembrar a igreja
barroca de São Francisco
e a de Nossa Senhora do Carmo,
ambas em Ouro Preto e o Santuário
de Congonhas com os Doze Apóstolos
- Brennand, desenvolve uma obra
artística que se estende
pelo desenho, arquitetura ,
pintura e escultura, reinterpretando
tanto a mitologia arcaica sul-americana,
quanto a européia.
Diversas culturas que coabitam
no universo brasileiro fornecem
os sinais marcantes da personalidade
e do trabalho de Francisco Brennand,
que em analogia aos surrealistas,
acentua a força e o efeito
do sonho e da inquietude como
requisito para o ato criador.
Numa inscrição
mural de Jorge Luiz Borges,
encontramos a seguinte citação:
“Sua imediata Obrigação
era o Sonho”.
Numa notável apresentação,
o escritor Fernando de Barros
Borba define as características
da arte brennandiana, como poucos
o fizeram: “todo esse
mundo se aparenta mais que tudo
com as invenções
de Borges e Octavio Paz em timbre
nordestino. Os espaços
sinfônicos, o Taj Mahal
no jardim, um forno antigo atapetado
de lâminas e rituais,
jarras em penumbra, sentinelas
como peças de xadrez,
pilares espetando o vazio, monstros,
arcadas - trazem-nos o gabinete
mágico de Dom Illán
de Toledo, utopias de Tlön
e de Uqbar, uma cidade devastada
na Índia, um campo ensolarado
com pirâmides huastecas.
É o romanceiro épico
de Brennand.
www.brennand.com.br
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