Projeto
Modelando Tradições - Figureiros
de Taubaté

A
Associação Artística Cultural
Oswaldo Goeldi no inicio de 2010 iniciou as
atividades do Ponto de Cultura Modelando Tradições
- Figureiros de Taubaté.
Das
heranças ancestrais, uma das mais significativas
manifestações artísticas
taubateanas são os “figureiros”.
Figureiros se autointitulam os artistas populares
do Vale do Paraíba que recriam com barro
(cru) figuras e cenas do seu dia a dia, ou do
seu imaginário. Arte resultante não
de aprendizado sistemático ou ensinamentos
especiais, mas de uma tradição,
da curiosidade ou das experiências pessoais
do próprio artista.
De
suas mãos hábeis, vão surgindo
figurinhas que retratam aspectos do povo, animais,
crendices e tradicionais festas populares.
A habilidade na modelagem da argila parece ser
no Vale do Paraíba mais uma herança
portuguesa do que indígena ou do negro.
Taubaté
está entre as poucas cidades brasileiras
que ainda preservam essa tradição.
O
pavão figura bastante tradicional na
arte figurativa local, ficou sendo o símbolo
do Folclore de Taubaté, e posteriormente
através de um concurso promovido pela
SUTACO venceu na categoria sendo hoje considerado
o Simbolo do Artesanato Paulista.
Em
instalações cedidas pela Prefeitura
Municipal criou-se a “Casa do Figureiro”,
local onde os figureiros trabalham e comercializam
suas obras.
Situado
à esquerda da via Dutra, no sentido de
quem vai do Rio de Janeiro para São Paulo,
encontra-se o Morro de São João,
Município de Taubaté, Estado de
São Paulo, onde se situam a Igreja e
a Rua Imaculada.
Essa
rua é um raro exemplo de “comunidade
cultural”, é um caso à parte;
tanto assim que serviu de inspiração
ao compositor Renato Teixeira através
de uma gravação em compacto simples
em 1979, de pequenos animais a imagens de santos.
A
arte de moldar figuras é uma antiga tradição
em Taubaté e já virou referência
na região, e a arte possui mais de um
século e meio de tradição
A
tradição das figureiras teve início
há mais de 150 anos, com o trabalho de
D. Maria da Conceição Frutuoso
Barbosa.
D.
Maria da Conceição era faxineira
no Convento de Santa Clara, em Taubaté,
quando se ofereceu para restaurar a imagem de
Nossa Senhora da Imaculada Conceição,
que encontrou guardada lá, para isso
buscava no rio Itaim a argila que utilizou para
restaurar a imagem, como sofria de uma paralisia
nas mãos, amarrava ferramentas nos punhos
e usava a língua para concluir o trabalho.
Também
com argila, D. Maria da Conceição
copiou um presépio vindo da Europa, o
que encantou os membros da Igreja e também
a população da cidade. Logo, várias
pessoas aprenderam a arte com a restauradora.
Quem
fazia apenas os animais do presépio,
ficou conhecido como “figureiro”.
A
arte é reconhecida por figuras típicas
dos presépios, como ovelhas, bois e galinhas.

A
evolução sócio-econômica
da Rua Imaculada passa pelo progresso material
e pela socialização dos moradores,
sem que isso, entretanto, tenha modificado sua
maneira de pensar, nem seu apego às formas
tradicionais de trabalho:
a.
De criadores à lavradores empregados
junto a outros mais ricos, a pequenos sitiantes
(Hoje todos os moradores da rua são proprietários
do local de moradia, e isso de longa data);
b. De sitiantes à pequenos comerciantes
(fazendo um longo percurso da casa do Mercado
e do Mercado a localidades mais afastadas como
Pindamonhangaba, Caçapava, etc);
c. Comerciantes estabelecidos em suas próprias
residências (local de trabalho), não
tendo de trabalhar para a temporada de vendas
(Natal) mas vendendo sempre, trabalhando sob
encomenda.
Retomamos o desenvolvimento sócio-econômico
da Imaculada em ordem cronológica para
melhor compreensão:
•
Em 1940, tiveram luz nas casas (antes era luz
de lampião de querosene, à vela,
lamparinas que enfumaçavam tudo).
• Em 1947, luz na rua.
• Em 1952, alguns compradores começaram
a subir o morro e comprar as figuras nas casas.
• Em 1954, já vendiam para a Capital
de são Paulo: comprador, Rossini Tavares
de Lima.
• Em 1960, Luiza compra um acordeon e
leva as festas para a rua. Houve aí uma
grande sociabilização e conseqüentemente
a necessidade de um Inspetor de Quarteirão.
• Nos anos de 1966, 1967 e 1968, Feiras
de Artesanato foram organizadas por ocasião
da Semana Monteiro Lobato promovida pela Prefeitura
Municipal de Taubaté. Foi o grande salto
que tornou a “arte ingênua dos figureiros
de Taubaté”, nacional e internacionalmente
conhecida.
• Em 1972, conseguem rede de esgotos para
a rua. Em 1984, a Associação dos
Moradores consegue o calçamento da rua.
• Em 1985, a idéia da Associação
Geral dos Figureiros, artesãos e Artistas
Populares de Taubaté e a idéia
da Casa do Artesão no Alto da Imaculada
se concretizam (nessa ano apareceram ônibus
de turistas na rua Imaculada).
Pode-se
observar indícios de valorização
das peças e do oficio pelos próprios
figureiros, que vão no decorrer dos tempos
melhorando os padrões de trabalho, porque
a vida muda e com ela tudo o que se refere ao
homem. O importante é que na rua Imaculada
estas mudanças se bipartem: de um lado
o progresso material (carro, TVs, aparelhagem
de som, altas tecnologias em todos os setores
do mercado de trabalho, melhores condições
de vida, etc), do outro, a compreensão
do valor de sua obra e de suas tradições.
É
a partir da nova geração que vamos
encontrar a preocupação em agrupar
os figureiros em uma associação.
No
começo deste texto perguntou-se: ...
“qual a importância que dão
os figureiros da Imaculada à arte como
válvula de escape, oportunidade para
uma pessoa extravasar o que lhe vai por dentro?”
diz Câmara Cascudo: “dinheiro não
satisfaz a suficiência intima”,
e é isso que leva a depositar nossas
maiores esperanças de que a Imaculada
continue a ser como diz Renato Teixeira “a
tradição dos puros figureiros”.

Assim
num contexto inovador e empreendedor a Associação
Artística Cultural Oswaldo Goeldi, iniciou
o Projeto Modelando Tradições
- Figureiros de Taubaté. Este projeto
caracteriza-se pela proliferação
da arte dos figureiros, Percebemos a evolução
no trabalho dos artesãos, que têm
se profissionalizado a cada dia.
Pretendemos
convidar pessoas que fazem este trabalho com
dedicação para ministrar oficinas
deste trabalho, ao mesmo tempo orientando a
todos a valorização de seu próprio
trabalho e a qualidade dos produtos confeccionados.
A
Casa do Figureiro de Taubaté, assim como
as outras Instituições participantes,
tem a oportunidade de expor e comercializar
os produtos dos artesãos em outros locais
de fácil acesso para o turista..
O
trabalho desenvolvido pelos Figureiros de Taubaté
é um dos mais característicos
do Estado de São Paulo. Importante pólo
de artesanato do Vale do Paraíba, a produção
local revela a força da arte figurativa
em peças que retratam a religiosidade,
cenas do cotidiano e animais da fauna rural.
Atualmente,
a Casa tem cerca de 40 figureiros, que trabalham
em escala de 4 horas diárias, produzindo
peças, e raramente acontecem oficinas
monitoradas, pois o tempo e a falta de orientação
profissional da arte, acaba deixando pouco espaço
para os iniciantes.
Após
uma pesquisa detalhada, constatamos que dentre
os filiados à Casa do Figureiro na sua
maioria são pessoas de mais de 40 anos
e nem 10% de seus descendentes praticam esta
arte.
Com
uma parceria do Governo do Estado e da Prefeitura
Municipal, agregamos figureiros para ministrarem
oficinas nas escolas públicas com maior
índice de carência do municipio.
Nosso
intuito é minimizar falhas, proporcionar
uma visão do mercado de arte aos figureiros
oficineiros e aprendizes, e ao fazer várias
oficinas para que esta arte se multiplique e
continue a ser uma fonte de renda para muitos.
No
primeiro semestre de 2010 já conseguimos
atingir mais de 200 crianças de 08 a
16 anos.
Caso
deseje saber mais a respeito entre em contato
conosco.
Lani
Goeldi
Presidente e Curadora do Projeto Goeldi
Site
do Ponto de Cultura: www.figureiro.com.br
(Faça
parte de nossa Associação, ajude
a preservar e a divulgar a arte brasileira)
informe-se
como
|